terça-feira, 23 de março de 2010

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"Life is nothing until it is lived; but it is yours to make sense of, and the value of it is nothing else but the sense that you choose."

((Jean-Paul Sartre))
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A vida não é nada até ser vivida; mas cabe a você dar-lhe sentido, e o valor dela não é nada mais que o sentido que você escolhe.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Capítulo XI

Quem roubou as tortas?

"O Rei e a Rainha de Copas estavam sentados em seus tronos quando eles chegaram, com uma multidão em volta...todo tipo de pequenos pássaros e animais além de todas as cartas do baralho: o Valete estava parado na frente deles, acorrentado, com um soldado em cada lado o guardando; e perto do Rei estava o Coelho Branco, com uma trombeta em uma mão e um pergaminho na outra. Bem no meio da corte havia uma mesa, com um grande prato de tortas sobre ela: elas pareciam tão deliciosas que Alice ficou com fome só de olhá-las e pensou “Tomara que o julgamento termine logo e eles sirvam o lanche!”. Mas parecia que a coisa não tinha chance e então, para passar o tempo, ela começou a olhar para tudo em volta.

Alice nunca estivera numa corte de justiça antes, mas já tinha lido sobre elas nos livros e estava satisfeita por perceber que sabia o nome de quase tudo em volta. “Aquele é o juiz”, ela disse para si mesma, “por causa da sua grande peruca.”

O juiz, aliás, era o Rei, que vestia a coroa sobre a peruca (vejam o frontipício do livro, se vocês quiserem ver como ele fazia isso). Ele não parecia muito confortável e com certeza não estava muito charmoso também.

“E aquele é o lugar destinado aos jurados”, pensou Alice, “e aquelas doze criaturas” (ela foi obrigada a pensar “criaturas”, sabe, porque algumas eram animais e outras eram pássaros), “suponho que sejam os jurados”. Ela repetiu a última palavra duas ou três vezes para si mesma, bastante orgulhosa disso: pois pensava, com razão, que muito poucas meninas da sua idade sabiam o significado dessa palavra. Entretanto se ela tivesse dito “membros do júri” também estaria certa.

Os doze jurados estavam escrevendo muito ocupados em suas lousas.

“O que eles estão fazendo?”, Alice sussurrou para o Grifo. “Eles não tem nada para escrever ali, antes de o julgamento começar.”

“Eles estão colocando seus nomes”, o Grifo sussurrou em resposta, “pois estão com medo de esquecê-los antes do julgamento terminar.”

“Que estúpidos!”, Alice começou a falar de alto e bom som, mas logo parou pois o Coelho Branco gritou “Silêncio na corte!” e o Rei colocou seus óculos para olhar ansiosamente em volta, procurando quem estava falando.

Alice podia ver, tão bem como se estivesse olhando por cima dos ombros, que todos os jurados tinham escrito “Que estúpidos!” em suas lousas e pôde ver também que um deles estava em dúvida sobre a grafia correta de “estúpidos” e tinha pedido para seu vizinho dizer para ele. “Uma bela bagunça vão estar as lousas até o final do julgamento!”, Alice pensou consigo mesma. Um dos jurados tinha um giz que rangia. Isso, é claro, Alice não agüentava, e então ela deu a volta na corte até chegar atrás dele e na primeira oportunidade arrancou-lhe o giz. Alice fez isso tão rápido que o pobre pequeno jurado (era Bill o Lagarto) não pôde perceber o que tinha acontecido: então, depois de procurar por toda parte ele foi obrigado a escrever com o dedo o resto do dia. É claro que não adiantava nada, pois não deixava marca nenhuma na lousa. “

Arauto, leia a acusação!”, ordenou o Rei.

Nesse momento, o Coelho Branco assoprou três vezes a trombeta e a seguir desenrolou o pergaminho, lendo o que se segue:

"A Rainha de Copas fez algumas tortas,Em um dia de verão:O Valete de Copas roubou todas elas,E levou embora sem hesitação.”

“Pensem no veredito”, disse o Rei para o júri. “Ainda não, ainda não!”, o Coelho interrompeu com pressa. “Há muito o que fazer antes disso!” “Chame a primeira testemunha”, o Rei disse, e o Coelho Branco assoprou três vezes sua trombeta, chamando a seguir: “Primeira testemunha!” A primeira testemunha era o Chapeleiro. Ele chegou com uma xícara de chá em uma das mãos e um pedaço de pão com manteiga na outra. “Eu peço-lhe desculpas sua Majestade”, ele começou, “por trazer estas coisas, mas eu ainda não tinha terminado meu chá quando fui chamado.” “Você deveria ter terminado”, disse o Rei. “Quando você começou?” O Chapeleiro olhou para a Lebre de Março, que o tinha seguido até à corte de braços dados com o Leirão. “Catorze de março, eu acho que era”, ele respondeu. “Quinze”, disse a Lebre de Março. “Dezesseis”, disse o Leirão. “Escrevam isso” o Rei disse para o júri; e os jurados apressaram-se em escrever as três datas em suas lousas, somando-as e chegando a uma conta maluca que incluía valores em dinheiro. “Tire seu chapéu”, o Rei ordenou ao Chapeleiro. “Não é meu”, respondeu o Chapeleiro. “Roubado!”, o Rei exclamou, virando-se para o júri, que no mesmo instante anotaram o fato. “Eu os tenho para vender”, o Chapeleiro continuou com sua explicação. “Nenhum deles é meu. Eu sou um chapeleiro.” Nesse instante a Rainha colocou seus óculos e começou a encarar o Chapeleiro, que empalideceu e inquietou-se. “Faça seu depoimento”, disse o Rei, “e não fique nervoso, ou eu mandarei executá-lo imediatamente.” Essa frase parece que não encorajou a testemunha, que começou a ficar sobre apenas um pé, alternando, olhando inquietamente para a Rainha. Na confusão acabou mordendo um pedaço da sua xícara de chá ao invés de morder seu pão com manteiga. Exatamente nessa hora Alice teve uma curiosa sensação, que a perturbou bastante até que ela percebesse o que se estava passando: Alice estava começando a crescer novamente. No início ela achou que deveria levantar-se e deixar a corte, mas depois decidiu ficar enquanto houvesse espaço para ela. “Eu queria que você não me espremesse tanto”, disse o Leirão, que estava sentado ao seu lado. “Eu quase não consigo respirar.” “Eu não posso ajudá-lo. Eu estou crescendo.” “Você não tem o direito de crescer aqui”, disse o Leirão. “Não fale bobagens”, respondeu Alice destemidamente, “você sabe que você está crescendo também.” “Sim, mas eu estou crescendo em uma velocidade razoável”, retrucou o Leirão, “e não desse jeito ridículo.” A seguir ele levantou-se com irritação e atravessou a sala até chegar do outro lado da corte. Todo o tempo a Rainha não tirou os olhos do Chapeleiro e, no instante que o Leirão atravessou a corte, ela ordenou a um dos oficiais da corte: “Tragam-me a lista dos cantores no último concerto!”. O coitado do Chapeleiro começou a tremer tanto que seus sapatos escorregaram dos pés. (...)"
((Alice no País das Maravilhas))

João e o pé de feijão

João e o pé de feijão é um conto de fadas de origem inglesa. A versão conhecida mais antiga é a de Benjamin Tabart, publicada em 1807 e popularizada por Joseph Jacobs em 1890, com a publicação de English Fairy Tales. A versão de Jacobs é mais comumente publicada atualmente, e acredita-se que seja mais próxima e fiel às versões orais do que a de Tabart, porque nesta falta a moral que há naquela.

A história conta que um menino chamado João vai ao mercado a mando de sua mãe com o objetivo de vender uma vaca. Quando João chega ao mercado, um estranho lhe propões cinco feijões mágicos em troca da vaca. João aceita a barganha e retorna para casa com os feijões no bolso. A mãe fica furioso por ele não ter seguido suas instruções de vender a vaca e joga os feijões pela janela. Enquanto João dorme, os feijões germinam e dão origem a gigantes pés de feijão. João ao acordar, escala o pé de feijão e chega a uma terra acima das nuvens. Este lugar é habitado por um gigante que se alimenta de seres humanos.
João é protegido pela esposa do gigante e consegue fugir dali depois de roubar uma sacola de moedas de ouro. João retorna no dia seguinte e rouba a galinha dos ovos de ouro do gigante e mais uma vez consegue escapar ileso. No terceiro dia, João volta à terra do gigante para roubar uma harpa de ouro. Dessa vez, o gigante persegue João, mas João consegue descer o pé de feijão mais rapidamente o corta com um machado.


"Há muitos e muitos anos existiu uma viú­va que tinha um filho chamado João.
João e a mãe eram muito pobres e, para se manterem, contavam apenas com uma vaca, cujo leite vendiam na cidade.
Um dia, porém, a vaca parou subitamen­te de dar leite, e a pobre mulher, tendo per­dido assim a fonte de seu sustento, ficou preocupada e sem saber o que fazer.
João, de sua parte, começou a procurar um emprego, com o qual pudesse ajudar a mãe. Mas os dias foram passando sem que ele arranjasse coisa alguma para fazer. As­sim, a única solução que encontraram foi vender a vaca, pois o dinheiro daria pelo me­nos para viverem por algum tempo.
João logo se ofereceu para ir vender o animal na cidade, mas a mãe, achando que ele não saberia negociar, a princípio não con­sentiu. Entretanto, porque ela própria pode­ria sair de casa naquele dia, não teve outro remédio senão concordar com a idéia. Amar­rou então uma corda no pescoço da vaca, para que João não a perdesse e, depois de dar muitos conselhos ao filho, deixou-o partir.
E lá se foi João, com destino à cidade.
Quando estava no meio do caminho, en­controu um vendedor ambulante que o cum­primentou muito simpático e perguntou-lhe aonde estava indo com a vaca.
Assim que João contou que estava indo vendê-la na cidade, o homem tirou do bolso um punhado de feijões, muito bonitos e de co­res e formatos variados, e mostrou-os ao me­nino, dizendo que eles eram encantados.
João ficou deslumbrado com a beleza dos grãos e, ao ouvir as palavras do vendedor, seus olhos brilharam de alegria. Morrendo de vontade de possuir os feijões encantados, perguntou ao homem se ele não gostaria de trocá-los pela vaca.
O vendedor concordou prontamente com a troca. E, horas depois, João chegava em casa muito satisfeito, achando que havia feito um excelente negócio. (...)"

sábado, 20 de março de 2010

Frankenstein

Frankenstein ou o Moderno Prometeu (Frankenstein: or the Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva.
O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.


Em 1815 o Monte Tambora na ilha de Sumbawa, na atual Indonésia, entrou em erupção. Como consequência, um milhão e meio de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, deixando o ano de 1816 sem verão no hemisfério norte.
Neste ano, Mary Shelley, então com 19 anos e ainda com o nome de solteira Mary Wollstonecraft Godwin, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão a beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron. Forçados a ficar confinados por vários dias em ambiente fechado pelo clima hostil anormal para a época e local, os três e mais outro hóspede, o também escritor John Polidori, passavam o tempo lendo uns para os outros historias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês.
Eventualmente Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron escreveu um conto que usaria em parte mais tarde na conclusão de seu poema Mazzepa. Inspirado por outro fragmento de história de Byron desta época, Polidori mais tarde escreveria o romance “O Vampiro”, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. Porém, passados vários dias, Mary Shelley ainda não conseguira criar uma história. Eventualmente ela veio a ter uma visão sobre um estudante dando vida a uma criatura. Essa visão tornou-se a base da história de Frankenstein, a qual Mary Shelley veio a desenvolver em um romance, encorajada pelo seu futuro marido.
Desta forma, é curioso notar que o Frankenstein e o Vampiro vieram a ter sua gênese literária na mesma ocasião.
Shelley relatou sua versão da gênese da história no prefácio à terceira edição de seu romance.


Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. Após o lançamento do filme Frankenstein em 1933 o público passou a chamar assim a criatura. Isso foi adotado mais tarde em outros filmes. Alguns argumentam que o monstro é, de certa forma, um “filho” de Victor, e portanto pode ser chamado pelo mesmo sobrenome.
Frankenstein é o antigo nome de uma antiga cidade na Silésia, local de origem da família Frankenstein. Mary Shelley teria conhecido um membro desta família, o que possivelmente influenciou sua criação.


"Meu criador... por acaso te pedi que me tirasse da escuridão, que me desse a vida? Agora me despreza, foge de mim... você que me criou?"

sexta-feira, 19 de março de 2010

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"Dreams are illustrations from the book your soul is writing about you."


((Marsha Norman ))



Sonhos são ilustrações do livro que a sua alma escreve sobre você.