domingo, 23 de janeiro de 2011

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"Ah, quantos sortilégios nos corações dos seres humanos. Tantos sentimentos mascarados perdendo tempo de descobrir o sentir.
Eu quero voar em bando, trocando mistérios e desvendando sensibilidades. Voar alto, cada vez mais alto."

 
((Denise Portes))
 

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"Levou tempo para que eu percebesse que quem presta muita atenção no que é dito não consegue escutar o essencial. O essencial se encontra fora das palavras."

((Rubem Alves))


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"Stars are beautiful, but they may not take an active part in anything, they must just look on for ever. It is a punishment put on them for something they did so long ago that no star now knows what it was. So the older ones have become glassy-eyed and seldom speak (winking is the star language), but the little ones still wonder."

((J.M. Barrie, Peter Pan))




As estrelas são bonitas, mas elas não tem nenhuma parte ativa em nada, elas devem apenas observar pra sempre. Isso é uma punição dada à elas por alguma coisa que fizeram há muito tempo e que nenhuma estrela agora sabe o que foi. Então as mais velhas se tornaram cegas e raramente falam (claro que na língua das estrelas), mas as pequeninas ainda gostariam de saber.

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"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama…"

((William Shakespeare))

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"Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante."

((Martha Medeiros))

domingo, 22 de agosto de 2010

Cartas

Carta é objeto de correspondência, com ou sem envoltório, sob a forma de comunicação escrita, de natureza administrativa, social, comercial, ou qualquer outra, que contenha informação de interesse específico do destinatário, de acordo com a Legislação Brasileira.

A carta é o elemento postal mais importante,é um meio de comunicação visual, constituída por algumas folhas de papel fechadas em um envelope, que é selado e enviado ao destinatário da mensagem através do serviço dos Correios.

((Definição segundo o site www.wikipedia.com.br))

Me atrevo a dizer que uma carta pode ser uma das maiores demonstrações sentimentais que existem. Ao escrever uma carta, é necessário concentração e sentimentalismo. Podendo ser um sentimento de amor ou mesmo o oposto. Da minha parte, requer muito carinho e perfeição. A melhor letra possível; o maior capricho possível.
Cartas são recordações. São provas das palavras que não puderam ser ditas. Ao olhar as cartas que eu guardo, me lembro de momentos, sentimentos, olhares. Posso reviver aquilo que já passou.

Infelizmente as cartas são banalizadas hoje em dia. Tudo se resume na internet atualmente e a maioria das palavras perdeu o seu sentido. E acredito que as palavras tem poder sim; mas um poder muito maior quando escritas sobre um pedaço de papel e não em uma tela digital.


As Cartas Que Eu Não Mando ((Leoni))


"Rio de Janeiro
Hoje é 23 do 3
Como vão as coisas
De mês em mês
Eu me sento pra escrever pra você

Eu reformei a casa
Você nem soube disso
Nem das outras coisas
Sabe eu tive um filho
Já faz tempo que eu me perdi de você

Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto

Vi alguns amigos
Tropeçando pela vida
Andei por tantas ruas
São histórias esquecidas
Que um dia eu quis contar pra você

Eu fico imaginando
Sua casa e seus amigos
Com quem você se deita
Quem te dá abrigo
Eu me lembro que eu já contei com você

E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
Hoje são a minha cama
Minha mesa, meus lençóis
E eu me visto de saudades
Do que já não somos nós "

"Eu te amo"

A expressão "eu te amo"
( Hélio Consolaro* )

Marisa Monte canta uma música que se chama "Amor I love you". Os primeiros versos dizem: "Deixa eu dizer que te amo/ Deixa eu pensar em você". As pessoas mais preocupadas com a gramática me perguntam se não há um erro de uniformidade de tratamento, já que o primeiro verso trata o interlocutor de TE e o segundo de VOCÊ. Segundo a gramática tradicional, além desse erro há outro.
Em anúncios idílicos, nesta Folha, quando pessoas declaram seu amor publicamente, deparo com a expressão: "Você é a minha vida. Eu te amo muito." Mudar para "Eu a amo" ou "Eu o amo" é tirar a espontaneidade da mensagem.
Para não ferir os ouvidos dos puristas e nem artificializar o texto, opto por colocar a expressão "te amo" entre aspas.
Na verdade, "eu te amo" é uma expressão cristalizada, cheia de carga emotiva. Além disso, VOCÊ é o substituto de TU no português vivo. Na gramática tradicional, ficaria assim: Deixa-me dizer que te amo/ Deixa-me pensar em ti. Perderia todo o coloquialismo proposto pela música.
"Amor I love you" tem música e letra de Carlinhos Brown e Marisa Monte e termina com um trecho do livro "O Primo Basílio", de Eça de Queirós, lido por Arnaldo Antunes. Gente de boa formação. A música não é nenhum pagode de fundo de quintal. O "erro" foi intencional, como diziam os parnasianos: trata-se de uma licença poética.
Afinal, a primeira geração do Modernismo brasileiro (1922-1930) tinha como proposta aproximar a literatura da linguagem do cotidiano.
O outro erro. A construção DEIXA-ME DIZER QUE TE AMO é a única considerada certa pela gramática tradicional. Quando se têm os verbos MANDAR, FAZER, SENTIR, DEIXAR, OUVIR e VER seguidos de outro verbo no infinitivo, o pronome que aparece ali exerce duas funções sintáticas ao mesmo tempo. Ele é objeto direto do primeiro verbo (deixar) e é sujeito do verbo no infinitivo (dizer).
Segundo o lingüista Marcos Bagno, as pesquisas lingüísticas têm demonstrado é que "o português do Brasil, ao contrário do português de Portugal, dá mais destaque aos sujeitos das orações do que aos objetos. Na língua dos brasileiros, é muito comum apagar os objetos e explicitar os sujeitos. Na língua dos portugueses, é justamente o contrário: eles preferem apagar os sujeitos e explicitar os objetos. Essa é uma das muitas diferenças que existem entre a língua do Brasil e a língua de Portugal".

*Hélio Consolaro é cronista da Folha da Região, Araçatuba, professor de Português do Ensino Médio, autor de três livros e membro da Academia Araçatubense de Letras.
Pesquisando por aí sobre Literatura (como sempre faço), encontrei o site http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=literatura/index de onde tirei esse texto interessantíssimo. Aconselho a todos darem uma espiadinha porque o site realmente é muito bom!

domingo, 8 de agosto de 2010

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"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."


“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento"
((Clarice Lispector))

A Quadrilha da Lagosta

(...) “Daí volta para a terra de novo, e... assim completa-se a primeira figura”, terminou a Falsa Tartaruga, repentinamente abaixando a voz; e as duas criaturas, que estavam pulando como dois malucos antes, sentaram-se muito tristes e quietinhas, olhando para Alice.

“Deve ser uma dança muito bonita”, disse Alice timidamente.

“Você gostaria de ver um pedacinho dela?”, perguntou a Falsa Tartaruga.

“Claro, gostaria muito”, respondeu Alice.

“Venha, vamos tentar fazer a primeira figura!”, disse a Falsa Tartaruga para o Grifo. “Nós não podemos fazer isso sem as lagostas, você sabe muito bem. Quem iria cantar?”

“Oh, você canta”, disse o Grifo. “Eu esqueci as palavras.”

Então eles começaram a dançar solenemente ao redor de Alice, às vezes pisando na ponta dos seus pés quando passavam muito perto dela, e agitando as patas dianteiras para marcar o tempo da música. A Falsa Tartaruga começou, então, a cantar esta música, muito lenta e triste:


“Não dá pra ir mais rápido?” disse a enchova para o caracol.
Tem um delfim atrás de mim, e ele está me empurrando.
Olha só as lagostas e as tartarugas, todo mundo tá andando!
O pessoal tá esperando lá na areia — quer vir e juntar-se à
nossa dança?

Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?

“Você não pode acreditar como vai ser bom,
Eles vão nos pegar e nos rodar e vão nos atirar com as lagostas
para o mar!”
Mas o caracol respondeu:
“Muito longe, muito longe!” E deu uma
olhadela de lado...
Agradeceu o gentil convite mas não, ele não queria se juntar à
nossa dança.
Não queria, ou não podia, não queria, ou não podia se juntar à
nossa dança!
Não queria, ou não podia, não queria, ou não podia se juntar à
nossa dança!

“E daí que seja longe?” disse a amiga enfastiada,
Tem outra praia, você sabe, outra praia do outro lado,
Quanto mais longe da Inglaterra, mais perto se está da França.
Não fique nervoso, querido caracol, e sim venha e se junte à
nossa dança.
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?
Você quer, ou não quer, você quer, ou não quer, você quer se
juntar à nossa dança?


"Muito obrigada, é uma dança muito interessante para se assistir”, disse Alice bastante aliviada por tudo ter acabado afinal, “e também achei muito curiosa esta canção sobre a anchova!”

“Oh, a anchova”, retrucou a Falsa Tartaruga, “elas...você já viu uma delas, não?”

“Sim”, respondeu Alice, “eu sempre as vejo no jan...” e calou-se na hora.

“Eu não sei onde fica este Jan”, disse a Falsa Tartaruga, “mas, se você as vê lá sempre, é claro que você sabe como elas são.”

“Acho que sim”, Alice replicou pensativamente. “Elas têm o rabo na boca...e são cobertas de farinha de rosca.”

“Você está errada sobre a farinha de rosca”, disse a Falsa Tartaruga.

“Iria se dissolver toda no fundo do mar. Mas elas têm o rabo na boca, e a razão para isso é...”, aqui a Falsa Tartaruga bocejou e esfregou os olhos. “Conte para ela a razão e tudo o mais”, finalmente a Falsa Tartaruga disse para o Grifo.

“A razão é”, disse o Grifo, “que elas queriam de qualquer maneira ir dançar com as lagostas. Daí elas foram atiradas ao mar. Daí a queda foi muito longa. Daí elas colocaram os rabos nas bocas. Daí elas não conseguiram tirá-los mais. Isso é tudo.” (...)
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((Alice no País das Maravilhas))

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Sometimes I lie awake at night and I ask, “Is life a multiple choice test or is it a true or false test?” …Then a voice comes to me out of the dark and says, “We hate to tell you this but, life is a thousand word essay.”

((Charles M. Schulz))




Às vezes eu estou acordado a noite e me pergunto, “A vida é um teste de múltiplas escolhas ou é um teste de verdadeiro e falso?” ...E então uma vez vinda da escuridão diz, “Odeio ter que dizer isso, mas a vida é uma redação de mil palavras.”

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Caçador de Pipas


"Por você faria isso mil vezes"
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O Caçador de Pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 70. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.

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Amir era um garoto problemático que cresceu no Afeganistão. Sua mãe morreu durante o seu parto, sua relação com seu pai, Baba, é formal demais e seu melhor amigo é Hassan, um garoto hazara de lábio leporino, filho do empregado da família, Ali. Amir não entendia o afeto que seu pai demonstrava ter por Hassan, afeto esse que resultou numa plástica, paga por Baba, para corrigir o defeito de nascença do garoto, quando este fez doze anos.
O amigo de Amir é um dos destaques do anual campeonato de pipas, que marca o início do inverno em Cabul.
Amir é campeão na competição e Hassan é um talentoso caçador de pipas, alguém que apanha as pipas caídas para exibi-las como troféus.
Em seus doze anos, Amir finalmente ganha a estima do seu pai por ter vencido a competição. Infelizmente, quando Hassan corre para apanhar a última pipa, ele encontra Assef. Amir vai a procura do seu amigo e acaba testemunhando Hassan sendo brutalmente violentado por Assef. Falta, a Amir, coragem para intervir e ele prefere manter seu conhecimento sobre o fato em segredo. No entanto, a culpa que ele passou a sentir perante à sua inatividade naquele momento, envenenava lentamente o seu relacionamento com Hassan.
No seu aniversário de treze anos, Amir recebe diversos presentes do seu pai e dos amigos deste. Entretanto, um deles é particularmente especial: um carderno em branco que ganhara do amigo e sócio do seu pai, Rahim Khan, para que ele escrevesse suas histórias.
Não podendo mais tolerar a presença de Hassan em sua casa, Amir prepara uma armadilha para seu amigo, escondendo dinheiro e um relógio de pulso sob o colchão de Hassan para incriminá-lo. Apesar de ser inocente, Hassan prefere confessar o roubo a complicar seu amigo. Ali se sente forçado a deixar a família, a qual serviu durante muitos anos, e se mudar para a remota Hazarajat, apesar dos protestos e lágrimas de Baba. Ainda que Amir nunca mais tivesse visto Hassan novamente, ele se vê constantemente atormentado por tê-lo traído.
Em 1980, Amir e seu pai deixam o Afeganistão, vão para Peshawar, no Paquistão, e, em seguida, para os EUA, escapando do novo regime soviética.
Em 1984, Amir e Baba estão morando em Fremont, Califórnia, EUA. Baba trabalha em um posto de gasolina e ganha um dinheiro extra vendendo sucatas em uma feira aos domingos, almejando pôr seu filho numa faculdade. Baba é diagnosticado com um câncer no pulmão. Amir conhece Soraya Taheri, com quem se casa mais tarde. Eles têm um casamento tradicional. Soraya se muda para a casa de Amir e cuida de Baba até ele morrer.
Os anos se passam. Amir embarca em uma bem-sucedida carreira como romancista. Ele e Soraya não podem ter filhos e relutam em adotar uma criança.
Em 1999, quinze anos depois da morte de Baba, Amir recebe um telefonema de Rahim Khan, que vivia em Peshawar. Amir viaja para o Paquistão para encontrá-lo. Rahim revela a Amir tudo o que aconteceu no Afeganistão depois da guerra civil.
Rahim se mudou para o antigo casarão de Baba, levando consigo Hassan, a mulher e o filho de Hassan, Sohrab. Dez anos depois, ele deixa Cabul e vai para o Paquistão. Hassan e sua mulher foram assassinados por um soldado taliban. Seu filho foi levado para um orfanato.
Rahim Khan pede a Amir que ele retorne ao Afeganistão para resgatar Sohrab. Para persuadi-lo, Rahim revela um segredo de família: Ali era estéril e Baba era o verdadeiro pai de Hassan, fazendo com que Amir e Hassan fossem meio-irmãos e Sohrab fosse meio-sobrinho de Amir.
Após relutar muito, Amir retorna a uma Cabul controlada pelo Taliban para procurar por seu sobrinho. Ele localiza o orfanato e é informado que o garoto fora levado por um oficial Taliban, que o usa como escravo sexual. Amir acha o oficial e pergunta por Sohrab, no entanto, o oficial é Assef. Eles brigam na frente do garoto e, se não fosse Sohrab ameaçando atirar no olho esquerdo de Assef com um estinligue e cumprido sua ameaça, Amir teria morrido.
Amir e Sohrab fogem para o Paquistão, onde ele decide adotar o garoto, mas encontra a oposição das autoridades americanas locais. Amir conta a Sohrab que talvez tenha de colocá-lo em um orfanato temporariamente. Com medo de receber o mesmo tratamento cruel que recebera no Afeganistão, Sohrab tenta o suicídio ao cortar seus pulsos. Amir descobre Sohrab a tempo, quando corre para contá-lo que sua mulher, nos EUA, encontrou uma forma de levar o garoto para a América.
O livro acaba com Amir e Sohrab de volta aos EUA. Sohrab está emocionalmente abalado e procura não falar. O dia de ano novo afegão é celebrado com uma competição de pipas, e Amir compra uma. Ele usa uma das antigas manhas de Hassan para derrubar uma pipa adversária. Nesse momento, um pequeno sorriso de Sohrab enche Amir de alegria: uma pipa voando foi o começo do descogelamento das emoções de Sohrab, e Amir, finalmente, se sente libertado da culpa que carregara consigo desde a infância.

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"As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."

((Carlos Drummond de Andrade))

domingo, 1 de agosto de 2010

A Menina que Roubava Livros

A Menina que Roubava Livros (no original, The Book Thief) é um romance do escritor australiano Markus Zusak, publicado em 2006. No Brasil, foi lançado em março de 2007 pela editora Intrínseca, e foi traduzido por Vera Ribeiro.
Sendo narrada pela morte, o livro conta a história de Liesel Meminger, uma garota que se encontrou com a narradora diversas vezes ao longo de sua vida e foi observada pela curiosa colhedora de almas. Liesel Meminger foi adotada por uma familia alemã e sua familia colheu um judeu para poder ajuda-lo, Liesel conheceu atravez de Max Vanderburg o mundo dos livros e passava varia horas com Max no porao da sua casa. O pai de Liesel tenta ajudar um judeu durante uma caminhada e é advertido pelo soldado alemão soldado esse que agride Has Hubermann. Hans entao pede para que Max va embora pois os soldados viriam atras de Hans e entao pegariam Max. Liesel é apaixonada por seu amigo Rudy Steiner. Vivendo na Alemanha nazista, Liesel enfrenta vários desafios.



- Estou o lendo nesse momento! =)

Oscar Wilde


"It is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious."


((Oscar Wilde, Lady Windermere's Fan, 1892, Act I))


É absurdo dividir as pessoas em boas e más. Elas são charmosas ou tediosas.

terça-feira, 27 de julho de 2010

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"I can see the sun, but even if I cannot see the sun, I know that it exists. And to know that the sun is there - that is living."


((Fyodor Dostoevsky))


Eu posso ver o sol, mas mesmo que eu não pudesse ver o sol, eu sei que ele existe. E saber que o sol está lá - isso é viver.


As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon) é uma obra de 1979 da escritora americana Marion Zimmer Bradley feita em quatro volumes. É ambientada durante a vida do lendário Rei Arthur e seus cavaleiros e tem por escopo narrar a já conhecida lenda arturiana a partir de uma outra perspectiva. Quem protagoniza a história, nesta versão, são as personagens femininas, tais como Guinevere, Morgana e Morgause, o que acabou resultando na reelaboração de todo o universo mítico da trama.
Outros personagens são apresentados aqui como títulos, como a Senhora do Lago e o Merlin da Bretanha, que nessa versão deixam de ser personagens específicos para ser os títulos político-religiosos da matriarca e do patriarca dos celtas pagãos.

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A obra foi dividida pela autora em quatro momentos (ou tomos). Na versão estadunidense, encontramos todos os volumes num único livro. O romance, além de narrar cerca de 70 anos ou mais (inicia-se quatro anos após o nascimento de Morgana e narra fatos dela já em idade bem avançada), explora fatos históricos preenchendo as lacunas ignoradas sobre a influência do paganismo e das mulheres na formação da Bretanha.
A homossexualidade, tanto a feminina quanto a masculina, também é superficialmente abordada na obra. Lancelote declara explicitamente seu amor e desejo por Arthur e, em algumas passagens do livro, é feita uma insinuação de que Morgana mantém relações com a sacerdotisa Raven.


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A Senhora da Magia
A Grande Rainha
O Gamo Rei
O Prisioneiro da Árvore


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Relacionados a esta obra, temos Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon (póstumo e encerrado por sua colega), Casa da Floresta, Senhora de Avalon, Sacerdotisa de Avalon, Brumas de Avalon. No entanto, não foram desenvolvidos linearmente pela autora.
Como o leitor de Brumas de Avalon pode notar, Viviane, Morgana, Kevin -O Bardo, Mordred, Igraine e Uther já se encontraram em outra vida; o primeiro encontro se dá em Queda de Atlântida e estende-se por Ancestrais de Avalon, com a chegada dos atlantes à Bretanha. Em Casa da Floresta, novamente alguns personagens se cruzam em papéis diferentes.
O volume de Senhora de Avalon conta com uma extensão de Casa da Floresta, tendo aí uma visão mais aprofundada da vida na comunidade de Avalon, temos um salto na segunda história para a expansão do domínio romano na Bretanha (que segue-se no livro Sacerdotisa), fechando na terceira história o passado de Viviane, o que dá gancho para as Brumas. O romance Sacerdotisa de Avalon, explora a lenda de Santa Helena, mãe de Constantino, primeiro imperador romano (que tinha pais pagãos) e a escolha política da nova religião para o império. São livros independentes entre si, mas o bom leitor sente as ligações e compreende a complexidade narrativa desta autora famosa pela série Darkover, que segue esta linha de desenvolvimento.

Farsa de Inês Pereira

A Farsa ou Auto de Inês Pereira é uma peça de teatro escrita por Gil Vicente. Nela o autor retrata a ambição de uma criada da classe média portuguesa do século XVI.

A obra foi escrita a partir de um desafio lançado por pessoas que duvidavam do talento de Gil Vicente. O autor concordou em escrever uma peça que comprovasse o provérbio "Mais quero um asno que me carregue, que cavalo que me derrube". Foi representada pela primeira vez a João III de Portugal no Convento de Cristo, em Tomar, em 1523.


Tecnicamente, é a mais perfeita obra vicentina, pela unidade de acção que apresenta. Pode ser dividida em quatro partes principais (quadros), ou em oito cenas. Não há, no entanto uma divisão explícita, pelo autor, em actos.
Toda a peça gira à volta da personagem principal, Inês Pereira, que nunca sai de cena. As didascálias são escassas, não há mudança de cenário, e a mudança de cena é só pautada pela entrada ou saída de personagens.


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Inês, moça simples e casadoura mas com grande ambição procura marido que seja astuto, sedutor. A mãe de Inês, preocupada com a sua filha, sua educação e cimento, incita-a a casar com Pero Marques, pretendente arranjado por Lianor Vaz. No entanto, Inês Pereira não se apraz do filho do lavrador, por este ser ignorante e inculto.
Entram então em cena dois casamenteiros judeus, e Inês se casa com um escudeiro, de sua graça Brás da Mata.
Este casamento depressa se revela desastroso para Inês, que por tanto procurar um marido astuto acabou por casar com um que antes de sair em missão para África, dá ordens ao seu moço - Fernando - que fique a vigiar Inês e que a tranque em casa de cada vez que sair à rua.
Meses após a sua partida, Inês recebe a prazerosa notícia de que o seu marido foi morto por um pastor. Não tarda em querer casar de novo e, nesse mesmo dia, chega-lhe a noticia de que Pero Marques continua casadoiro, de resto como ele havia prometido a Inês quando do primeiro encontro de ambos.
Inês casa com ele logo ali e, já no fim da história, aparece um ermitão que se torna amante da protagonista.
O ditado "mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube", não podia ser melhor representado do que na última cena da obra, quando o marido a carrega em ombros até ao amante, e ainda canta com ela "assim são as coisas".

The king Salomon's Mines

As Minas do Rei Salomão, publicado originalmente em 1885, é um best-seller escrito por Henry Rider Haggard, escritor vitoriano de aventuras e fabulista. O livro narra uma jornada ao coração da África feita por um grupo de aventureiros liderados por Allan Quatermain em busca de lendária riqueza que diz-se estar oculta nas minas que dão nome ao romance. É considerado o primeiro romance de aventura a se passar na África e é considerado o precursor do gênero literário "mundo perdido", em que se descobre um novo mundo, daí sua importância.
Tornou-se um imediato best-seller. No final do século XIX, exploradores estavam descobrindo civilizações perdidas em volta do mundo, como o Vale dos Reis no Egipto, a cidade de Tróia, o Império Assírio. A África ainda era largamente inexplorada e "As minas de Salomão" foi o segundo romance de aventura africana publicado em inglês, capturando a imaginação do público. O primeiro foi Cinco Semanas em Um Balão, publicado em 1863 pelo escritor francês Júlio Verne.
O "Salomão" do título do livro é, claro, o rei bíblico renomado tanto por sua sabedoria quanto por sua riqueza. Um número de locais foi identificado como sendo o lugar onde estariam localizadas as minas de Salomão, incluindo Timna (pequena cidade no Iêmen) perto de Éilat, e muitos lugares "fictícios".
Haggard conhecia bem a África, pois havia penetrado no continente como um jovem de dezenove anos envolvido com a guerra Anglo-Zulu e a Primeira Guerra Bôer, as quais forneceram sua base e inspiração para esta e muitas outras histórias.


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Conta-se que o livro surgiu como resultado de uma aposta de Haggard com seu irmão, a saber, que ele não conseguiria escrever um romance com a metade da qualidade da "A Ilha do Tesouro" (1883) de Robert Louis Stevenson.
Como "A Ilha do Tesouro", a maior parte do livro foi escrita com a perspectiva em primeira pessoa como em um diário de viagens, relatando a aventura, em contraste com a maioria das ficções vitorianas que tinha adotado a perspectiva em terceira pessoa, onisciente, favorecida por escritores influentes como Charles Dickens, Wilkie Collins e Anthony Trollope.
"As Minas de Salomão" foi bastante influente, originando o género "mundo perdido", seguido depois por Edgar Rice Burroughs em "A terra que o tempo esqueceu", "O mundo perdido" de Arthur Conan Doyle, "King Kong" de Edgar Wallace e "O homem que queria ser rei" de Rudyard Kipling.
O livro ganhou pelo menos quatro adaptações para o cinema. A obra homónima do escritor português Eça de Queiroz, mais que uma mera tradução, constitui uma obra com valor próprio.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Anoitecer

"É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos:
há somente buzinas, sirenes roucas, apitos
aflitos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.

É a hora em que o pássaro volta,
mas de há muito não há pássaros;
só multidões compactas
escorrendo exaustas
como espesso óleo
que impregna o lajedo;
desta hora tenho medo.

É a hora do descanso
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz - morte - mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.

Hora de delicadeza,
Gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo."


((Carlos Drummond de Andrade))

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"Eu não tenho filosofia: tenho sentidos.
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar.
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."




((Alberto Caeiro))